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Eu te quero.
Eu te adoro,
não pelas coisas que é,
ou que faz,
mas pela sua sinceridade,
que a torna uma pessoa tão especial,
num mundo de coisas tão comuns.
Mas nunca se esqueça de me lembrar,
e não se lembre de me esquecer…
poesia popular, autor timidamente não indicado, quanta modéstia, à venda nas melhores paradas de ônibus no trecho São Paulo – Bahia.
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O edifício Itália era o rei da avenida Ipiranga, não mais. E a Angélica, que vinha com a roupa cheirando a consultório médico, não mais – em inglês, existe “neither” que não é “tão pouco” nem “idem”, funcionaria melhor.
Na Prainha Paulista passa a onda do Sacomã. Paulista é assim, feio mas tá na moda. Nada de malhação, Hans Donner e todos os cromados globais nojentos, que figuram na nossa irmã glamourosa. Keep it Rio.
Como bons paulistas, a gente tinha inventado um padrão pra pavimentação, parecia muito hermético, mas que no final das contas, conquistou a todos com seu discreto charme intelectual, até mesmo quando se olha para ele e pensa em algum sentido bairrista-progressista (Anauê!). O piso da avenida paulista competia com as ondas do oceano atlântico, que figuram na foto do primeiro texto. Eu dei meu adeus ao padrão do estado de São Paulo. Entra em cena um cimentão colorido feio.
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Traçando citação inexata da fábula de Pinóquio, lembrem-se que o herói da história sai de seu espaço de criação, onde não era capaz de construir sua própria estrutura, em busca do encontro da sua razão de vida.Vai ao mundo, fora do abrigo do lar, mete-se nos caminhos do território. Depois de infortúnios e desventuras, Pinóquio encontra-se dentro da baleia. Um animal colossal. Dentro dele, Pínóquio encontra-se a si mesmo. Não é uma relação entre dois animais. É uma relação entre um ser e um espaço. Não qualquer espaço, um animal, um bicho, que traz consigo energia, vida, que entra em choque com a vida acidental que está dentro dela. Seu coração, gigante, pulsa. Aquele lugar não é abrigo, por não ser lar de nenhum animal, mas entende-se lá um certo lugar para se estar. Com certeza, um lugar que trata de conectar-se com Pinóquio, fazendo-o entender a razão de se existir um mundo, um lar, e lugares fora dele.
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Previously, on Batima Berrini:
- Santo pedágio, Batman! E não temos troco!
- Calma, Robinson, eu tenho bat-sem-parar. O controle está no meu assento, não posso soltar as mãos do volante, você poderia ativa-lo pra mim?- Missão comprida, chefe! Pra onde vamos?- Para o centro, Robinson! Recebi informação que arruaceiros estão aterrorizando a população no anhangabaú, com música tribal, gritos de guerra e violência!
Campo de Batalha, Anhangabaú. Batman consegue observar de cima do prédio do banco internacional a mixórdia no piso do Vale. Jovens, bêbados, aparentemente bem arrumados, se não fossem seus cabelos demasiadamente compridos e desgrenhados, enquanto suas mulheres todas de cabelos curtos. Um micro-fauna curiosa. Todos de calçados “All-star”, mulheres de faixa na cabeça… mas o que tramavam,ao tocar instrumentos africanos num som repetitivo, quase um mantra, se não fosse tão aritmado?
“Devem ser seguidores Espantalho”, pensa Batman. Mas o Espantalho hoje é dono de uma igreja evangélica e canal de tv, sua área de atuação não está mais por aqui.Perplexo, Batman desce à paisana na multidão, tentando encontrar o líder do grupo, ou pelo menos a razão do movimento.- Algum tipo de freqüência maligna está subliminar nesse som insuportável – pensa o homen-morcego – não pode ser agradável.
Antes que pudesse jogar alguma bomba de efeito moral na multidão, a tropa de choque chega ao local e põe um ponto final naquela desordem: faz prisões, desce o cacete nos líderes do grupo musical, e todos vestindo vermelho. Batman recupera-se da perplexidade:- Robinson, vamos à Galeria Vermelho! Está na hora da abertura da nova exposição!
Ao chegar lá, todos bem trajados de golas role pretas, tomam champagne distribuído por garçons descolados, de camiseta preta justa. Bruce repreende Robinson, que fixa olhar num dos funcionários.A exposição é do artista plástico chamado Curinga, cuja intervenção é colocar batom em reproduções de obras de arte consagradas. Bruce não o suporta, desde quando estudavam juntos no colegial. Soube que foi estudar em Paris, e agora mora num sobrado na bela vista, todo reformado por ele mesmo. Não que tenha pago por isso, como despreza Batman. O Curinga nunca pagou por nada, seus pais, médicos cirurgiões plásticos, são conhecidos os “Reis do Sorriso”, e ainda sustentam o filho de 29 anos. Bruce não. Com ele, as responsabilidades surgiram rápido, quando entrou em seu primeiro estágio “trainee” num banco de investimentos. Seu pai, um rico industrial, morreu em um acidente de esqui, mas a sua herança nunca fora tocada.
Desgostoso, Batman deixa as chaves do Batmóvel com Robinsom, que não tinha ainda parado de conversar com o garçom do buffet, e pega um táxi até a bat-caverna. No caminho, engaja-se em uma conversa com um travesti, auto-intitulado “mulher-gato”.
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Mãos tremendo, o suor lhe passa por dentro da roupa, escorrega pela cara. Conseguirá Bruce Wayne escapar dessa enrascada?
Sim! O índice sobe 3,4%, muito acima do esperado! Mais uma vez Bruce Wayne, o ás do pregão da bolsa mostra seus talentos e sua justificada ousadia! Seus parceiros o cumprimentam e o convocam para um jantar de comemoração. “só depois da competition, galera!” – diz Bruce. Há muito tempo cobiçava uma das personal trainers.
Jantar. Restaurante japonês, totalmente hype no Itaim, o chef do momento e seus sushi-men (todos originais do interior do Espírito Santo). Bruce e seus amigos, todos colegas de faculdade de economia, comem peixe cru e bebem uísque. No banheiro, cheiram farinha. De saída, seus colegas o convidam para uma passada na nova boate na Berrini (150 reais de consumação mínima). Batman recusa. Tem ainda serviço a cumprir.
Sr. Wayne pega seu audi A4 e parte para sua propriedade em alphaville, mas antes faz uma ronda à paisana pela cidade; bom retiro, cracolândia, cambuçi, águas espraiadas, jaguaré, vila leopoldina, barueri. Sente-se rodeado de decadência e imoralidade. Prostitutas, moleques de rua, mendigos, pessoas sinistras, ocultas pelo breu da noite. Meliantes, facínoras, isso sim!
Na mansão Wayne, faz parada rápida, uma troca de roupas. Sai o terno, entra o colante. Batman agora está preparado para mais um dia de cruzada a favor de uma sociedade mais limpa, segura! Sem mais seqüestros relâmpagos, sem mais gente pedindo dinheiro no farol, fazendo malabarismos com bolinhas de tênis! Sem mais prostitutas na Vila Nova Conceição, em Moema! Sem mais guardadores de carro, que cobram dez reais, ou mais!
- Mas também seria bom se eu não tivesse que sair por Barueri para não pagar o pedágio! – Diz Batman.
- Santo pedágio, Batman! – diz Robinsom Tavares, 18, estagiário, em busca de sua primeira passagem bem sucedida em uma financeira. Bruce gosta do rapaz, órfão de família rica, injustamente acusados de estelionato, fugiram para Londres, deixando o filho único cuidando da casa em um condomínio fechado do Morumbi.
Conseguirá Batman troco do pedágio? Descubra no próximo post!
Arquivado em: norton dallas
querida, leva contigo um pedacinho meu, vai…
morrerei de saudades enquanto estiver sumida.
aos demais, boas vindas. Espero que esse mimo pessoal comece bem as séries de postagens do norton, que se aventura pela escrita.

