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naquela festinha da sétima série, eu não ia vacilar.
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- ela já namorou alguém?
– não, ela pratica xaveco tântrico.
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poucos talheres e muitos cafés da manhã preguiçosos
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você está me segurando, ou está se segurando em mim?
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galgos bipolares
um azul, outro rubro
correm um atrás do outro
parados são feios.
mas são lindos.
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- adorei o vestido dela.
- esse vestido é o modelo mais famoso da história, desenhado pelo christian dior. Foi o primeiro alta-costura a se popularizar.
- ah, é aquele da audrey hepburn, não?
- não, ela sempre usou givenchi.
- nhé. eu não sei de nada.
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- mas isso que falei é verdade nao? você a vê bastante…não será um problema encontra-la.
- não, mas eu sei que ela sabe que eu sei que ela vai.
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Estou cozinhando numa cozinha bonita, defronte a uma janela ampla, que me mostra um jardim vertical, não muito distante, tão bem cuidado como a própria cozinha e seus utensílios de culinária. As panelas estão como novas, intactas, sem marcas de espátula ou colher. Sem teflon descascando, todas as peças limpas e secas. Pra não falar dos ingredientes, todos muito atraentes ao olhar e paladar.
É cedo, eu sei. É por causa do espectro da luz. Eu sempre soube dinstinguir o espectro de luz de uma manhã e de uma tarde, mesmo em fotos. É um amarelo mais cítrico, que invade nossos quartos e cozinhas, como uma laranjada. Vitamina C.
Estou fazendo um frango à moda oriental, com muito gergelin e shoyu. O broto de bambu está ao lado, esperando a sua vez. O frango ainda está pálido como um europeu, com as sardinhas de pimenta-do-reino que eu lhe dei. tudo faz um barulho de fritura e fervura. As fumaçinhas brancas sobem de cada panela.
Um homem pra mim familiar aparece da sala, que está ligada à cozinha sem interrupções, fazendo perguntas em tom acusativo, enquanto se aproxima rapidamente.
- o que é isso? O que você está fazendo na minha casa, na minha cozinha? Quem te deixou cozinhar aqui? Como você entrou? (pausa, ele para) Quem é você?
Eu puxo uma faca do porta-facas de madeira inclinado, mudo a posição dela na minha mão. Arremesso-a no peito do homem, com uma precisão artística, e digo:
- sou um assassino de aluguel.
Termino o frango, degusto ele com legumes em frente ao homem. Ele está morto. pouco sangue, esperava mais. Termino minha long neck de cerveja. Acordo.
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os jardins da delícia.
gorda crônica criativa.
em 3 episódios, acredito.
